Dos restos, um recomeço
Dárcio Coyote Chaves Qualquer um, que porventura se pusesse a olhá-lo, deste modo sentado, joelhos unidos, abraçando-os braços e sobre todos, ébria, a cabeça, pensaria: é dor, frustração. É apenas mais um derrotado. Indica-o a cabeça caída. Em breve, junto à porta de embarque do vagão das bestas e aberrações, ele ainda haveria de lembrar-se dos passos e dos lamentos que com eles passeavam, discorrendo sobre aquela cabeça de uma tonelada. Lembra-se ia, certamente, de um passo vacilante que, por haver tropeço em sua bagagem, acabou por despertá-lo de seu profundo aterramento, permitindo-lhe que ainda ouvisse o trapalhão desbocado, preferindo-lhe mil impropérios por estar obstruindo o fluxo dos apressados e espremidos pedestres (é assim no centro de São Paulo, o tempo todo as pessoas se acotovelam como animais encurralados). Levantou-se, pegou a bagagem, era um estojo de violão, sentiu-se mesmo El Mariachi e riu de si próprio enquanto se voltava em direção à estação da Luz, não e...