Florianópolis: ontem e hoje
LÍVIA SCARAPICCHIA Nunca havia me sentido tão sozinha, tão excluída. Não pelos outros, mas por mim mesma. Já não queria mais a companhia de pessoas que somente falavam sobre homens e programas chatos da televisão, e que somente saíam para os mesmos lugares, seguindo a convenção da massa. Não queria mais ser hipócrita e continuar fazendo de meus sorrisos, atos de demonstração do meu interesse pelo assunto da roda. Achava tudo isso muito banal, não conseguia manter limites por dentro. Queria estar com pessoas que se arriscam, que fazem descobertas e que não vivem sempre o mesmo. Cheguei a pensar que o melhor seria ficar em casa, ao som do Bob Dylan, pois pelo menos suas letras me faziam refletir, do mesmo modo como o acorde do seu violão, o som estridente da sua harmônica, mais sua voz rouca e desafinada, me alegravam ao ponto de viver outra realidade. Como encontrar pessoas com aspirações iguais às minhas, que de fato me acrescentassem algo? Alguma psicóloga diria: “você tem que sair ma...