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Florianópolis: ontem e hoje

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LÍVIA SCARAPICCHIA Nunca havia me sentido tão sozinha, tão excluída. Não pelos outros, mas por mim mesma. Já não queria mais a companhia de pessoas que somente falavam sobre homens e programas chatos da televisão, e que somente saíam para os mesmos lugares, seguindo a convenção da massa. Não queria mais ser hipócrita e continuar fazendo de meus sorrisos, atos de demonstração do meu interesse pelo assunto da roda. Achava tudo isso muito banal, não conseguia manter limites por dentro. Queria estar com pessoas que se arriscam, que fazem descobertas e que não vivem sempre o mesmo. Cheguei a pensar que o melhor seria ficar em casa, ao som do Bob Dylan, pois pelo menos suas letras me faziam refletir, do mesmo modo como o acorde do seu violão, o som estridente da sua harmônica, mais sua voz rouca e desafinada, me alegravam ao ponto de viver outra realidade. Como encontrar pessoas com aspirações iguais às minhas, que de fato me acrescentassem algo? Alguma psicóloga diria: “você tem que sair ma...

Os encantos de uma pequena vila em Minas

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FLAVIO F. A. ANDRADE No início de 2008, eu e meu amigo, Reinaldo Reigrimar, fizemos uma viagem, a trabalho, a uma pequena vila de 200 habitantes próxima à cidade de Belmiro Braga, que fica a 36 quilômetros de Juiz de Fora, na divisa com o Rio de Janeiro. Pode parecer mais um vilarejo perdido no meio do mato, e que parou no tempo, mas esse lugar tem lá suas belezas arquitetônicas e naturais. Não fosse pelas antenas parabólicas, que insistem em modificar a paisagem, e pelas roupas coloridas de seus habitantes, poderíamos mesmo dizer que São José das Três Ilhas parou no tempo. A cidade, se é que podemos chamar de cidade, possui uma atmosfera do século XIX, ainda preservada em sua rua principal. Casarões erguidos com pedras, igrejas construídas por escravos, ruas de pedras, a nos indicar que ali, um dia, viveram alguns dos homens mais poderosos deste Brasil — naquela época, o café era o ouro verde e dava prosperidade ao lugar —, mas que agora não passa de um projeto turístico em dese...

Tempo para um recomeço

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TIAGO ALVARENGA O que seria da humanidade sem os grandes arquitetos e sem as grandes construções do mundo? Queria com essa pergunta achar um lugar para ir, um lugar para viajar, um lugar para me encontrar ou me perder. Pensei em vários locais, espalhados pelos quatro cantos do mundo. Pensei em Praga, na República Checa, ou alguma cidade do Peru, ou da China. São tantos os lugares e feitos que marcaram o mundo antigo, que eu não saberia mesmo escolher. Talvez o moderno me trouxesse mais conhecimento para o mundo atual, mas não contente, queria mesmo era navegar em outros mares, outros rios. Queria deserto, areias e calor. Queria ir a lugares em que, nem meu bom inglês facilitasse minhas caminhadas. Cheguei ao Cairo. Aeroporto lotado, extrema desorganização. Estava perdido. Enquanto esperava um guia, policiais me cercavam e pediam propina. Foi caótica essa primeira visão de um dos locais mais antigos da humanidade. Os turbantes são mesmo a maioria por aqui. Fantástico! Pareciam alegorias...

Solstício na Inglaterra

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REINALDO REIGRIMAR Queria viver pelos cinco cantos do mundo. O conforto para os olhos e para a mente, a sabedoria colocada em prática e tudo o que todos falam. Nada disso descreveria o grande prazer de sentir novas atmosferas. Andar e percorrer caminhos em fila indiana, em procissão. Seria o caminho a Santiago? Essa peregrinação ao mais profundo do autoconhecimento. Descobrir os diversos seres e matérias existentes seria uma viagem de quilômetros e mais quilômetros dentro de nossa desconhecida alma. Às 3 horas o relógio despertou, anunciando que a viagem deveria começar. Enquanto seguia pela estrada, tive a sensação de que ainda estava dormindo. Ainda não sei como peguei a mochila e tudo o que precisava para registrar aquela aventura, sabia apenas que estava a caminho e que nada havia sido esquecido. A viagem foi longa, e a ansiedade tomava conta do meu corpo, que começava a despertar. É imensurável a grande visão e transposição da alma, tão surreal quanto pedras, de m...